Arte Generativa: O Que é e o Que Tem a Ver Com as NFTs?

Mariana

Arte generativa nada mais é do que arte digital. Arte baseada em computador.

Assim, ela é feita com o uso de um sistema predeterminado e, geralmente, possui um elemento de acaso.

Ela é uma arte que, no todo ou em partes, foi criada com o uso de um sistema autônomo, sendo uma arte criada por softwares.

Dessa maneira, a arte generativa também é conhecida como arte algorítmica.

O artista criador de determinada peça pode dizer que o sistema generativo representa sua própria ideia artística. E, em outros casos, o software assume totalmente o papel de criador.

Porém, resumidamente, a arte generativa é uma técnica em que o artista cria imagens de arte usando algoritmos de computador.

Para que você entenda o que de fato é a arte generativa e como ela se relaciona com as NFTs, preparamos esse artigo completo.

Nele vamos falar sobre:

Boa leitura!

O Que é Arte Generativa?

arte nft

Vivemos em uma época em que diversas áreas das nossas vidas se baseiam em algum tipo de tecnologia. Isso inclui a forma como criamos e experimentamos a Arte.

E um ótimo exemplo disso é a Arte Generativa.

O termo se refere a qualquer prática artística que usa um sistema autônomo, com o artista construindo sua infraestrutura, definindo seus parâmetros e selecionando a obra final a partir dos múltiplos resultados que o sistema fornece.

Dos azulejos baseados em geometria na Arte Islâmica às obras guiadas por regras de artistas conceituais, como Claudio Tozzi, a arte generativa é mais comumente associada a obras de arte feitas com softwares de computador e sistemas de programação.

Em essência, o artista cria a estrutura dentro um programa que produz o produto visual final.

Ou seja:

Arte Generativa = programação + computação gráfica + expressão artística

Como a Arte Generativa é Criada?

Na arte tradicional, os artistas podem escolher diferentes tipos de materiais e ferramentas. Com a arte generativa não é diferente.

Em contraste com as formas de arte tradicionais e ferramentas de desenho digital, a interface de janela de texto da programação é muito mais familiar para um desenvolvedor de software do que para um artista.

No entanto, as formas mais simples da linguagem de programação convidaram os artistas a explorar o uso dessa tecnologia em suas práticas criativas.

Um exemplo disso é um ramo da inteligência artificial conhecido como Generative Adversarial Networks (GANs).

Nele, artistas podem aprender e treinar algoritmos de aprendizagem profunda. Assim, é possível produzir uma estética específica estudando e gerando imagens que se alinham com o que foi aprendido.

Além disso, um traço comum entre as ferramentas de criação de arte generativa é o elemento “aleatoriedade”.

Com isso, enquanto o artista gerencia e decide os elementos que a forma final conterá, o que realmente é produzido pelo algoritmo é algo imprevisível.

Podemos comparar esse processo com o de um músico, por exemplo.

As escalas musicais são padronizadas, mas o músico é livre para fazer suas próprias variações enquanto toca ou canta uma de suas criações.

Origem da Arte Generativa

arte generativa

A arte generativa existe desde a década de 1960.

O artista Harold Cohen foi considerado um dos primeiros a fazer esse tipo de arte quando usou robôs controlados por computador para gerar pinturas no final dos anos 1960.

Além disso, o artista também criou o AARON. Este é um programa de computador que gera imagens artísticas originais.

Keith Tyson também foi um dos precursores desse movimento com a criação de um ArtMachine. Assim, originou-se um sistema complexo que gerou proposições detalhadas para obras de arte.

Além disso, Georg Nees, Frieder Nake e A. Michael Noll programaram computadores para controlar o movimento de dispositivos mecânicos de desenho chamados plotters.

Dadas as limitações técnicas dos equipamentos e da tecnologia da época, a maioria dos resultados eram estruturados e com formato geométrico.

Porém, as artes mais influentes geradas nas décadas de 1980 e 1990 não vieram de galerias ou inventores famosos. Mas sim, de hackers que vendiam software roubado.

Essa era a era da internet discada e o objetivo era gerar peças visuais únicas, desde sobrevoos de paisagens verdejantes e formas abstratas complexas.

Embora a chegada da internet e da computação doméstica tenha aberto as portas criativas para a arte generativa, os artistas ainda enfrentavam um grande problema. Como vender um vídeo? E uma imagem?

O surgimento das NFTs foi uma ótima solução para essas questões.

Assim, artistas generativos passaram a ter suas próprias plataformas de NFTs, por exemplo.

NFTs Influenciam o Crescimento da Arte Generativa?

arte generativa

O rápido crescimento do ecossistema de artistas digitais aconteceu como uma alternativa à arte tradicional.

No passado, a arte generativa não era amplamente aceita, descrita como desinteressante e não sendo “arte de verdade”.

Porém, o avanço das NFTs está mudando a forma como a arte digital é percebida e valorizada.

Com isso, muitos artistas digitais começaram a expandir os limites da criatividade em diferentes dimensões, usando novas tecnologias para reatribuir valor à arte.

Além disso, as NFTs não protegem apenas a autenticidade de determinada peça. Elas também garantem sua originalidade, gerando, assim, mais valor.

Quer saber mais sobre o vocabulário NFT? Confira esse guia completo que preparamos para você!

Dessa forma, as NFTs não apenas colocam os artistas digitais em pé de igualdade com os pintores e escultores tradicionais.

Se um pintor de galeria tradicional vende uma peça por US$35 mil e, cinco anos depois, ela é revendida por US$ 4 milhões, por exemplo, o artista não tem direito monetário nessa revenda.

Com as NFTs essa história pode ser diferente. Isso acontece porque é possível que as NFTs sejam projetadas para enviar perpetuamente a receita das vendas secundárias para o artista.

Arte Generativa x Metaverso

arte generativa

Os artistas são constantemente confrontados com a necessidade de criar obras relevantes em um mundo onde o interesse financeiro das grandes empresas influencia fortemente o valor da arte em si.

Apesar disso, muitos artistas digitais acham natural expressar emoções por meio da tecnologia.

Assim, conforme inovações tecnológicas evoluem, a arte generativa acaba sendo uma ótima forma de expressar a sinergia entre o homem e o computador.

Além disso, esse tipo de arte parece ter um futuro ainda mais promissor com a ascensão das NFTs e do Metaverso, que logo estarão tomando conta de todo o mundo.

5 Características Principais da Arte Generativa

Confiras quais são as principais características da arte generativa:

1- Resultado imprevisível

Os atributos desse tipo de arte são gerados aleatoriamente durante o seu desenvolvimento.

Portanto, o artista não tem ideia do resultado final de sua criação.

Isso torna a arte generativa uma experiência empolgante e emocionante para colecionadores de arte e artistas.

2- Fluidez

O algoritmo usado para gerar obras de arte pode ser ajustado e melhorado.

Assim, um pequeno código incorporado ou removido produzirá um trabalho totalmente diferente.

Isso acaba gerando um conceito de continuidade e fluidez.

3- Facilidade

Embora a maior parte da arte generativa precise de códigos e scripts complexos, existem aplicativos fáceis de usar. Estes foram criados para que iniciantes também possam explorar designs criativos.

Um exemplo disso é o Processing App.

Além disso, existem scripts que podem ser executados no navegador e gerar conteúdos em tempo real.

4- Velocidade

O uso de ferramentas informatizadas oferece mais precisão e maiores resultados em um curto período de tempo.

Dessa forma, a produção se torna rápida com resultados inspiradores.

5- Alta Demanda

A arte generativa pode ser criada instantaneamente e aproveitar uma comunidade global de entusiastas da arte. Principalmente porque as pessoas já estão prontas para fazer compras através de marketplaces de NFTs.

Mulheres Pioneiras na Arte Generativa

Era difícil para alguém ser um artista generativo nas décadas de 1960 e 1970. Os computadores eram primitivos, ocupavam salas inteiras e o acesso a eles era extremamente limitado.

Além disso, durante essa época, as mulheres enfrentavam um tremendo sexismo no local de trabalho (ainda mais do que hoje), por exemplo.

Apesar disso, felizmente, um grande número de mulheres artistas surgiu, fazendo contribuições muito importantes para a arte generativa.

Vera Molnár

Vera-Molnar

Vera Molnár é uma das artistas generativas que mais criou obras entre as décadas de 1960 e 1980.

Ciente da percepção geral da época sobre computadores, Molnár falou sobre os ganhos criativos e humanísticos que essas máquinas possibilitaram a ela como artista:

“Sem o auxílio de um computador, não seria possível materializar com tanta fidelidade uma imagem que antes existia apenas na mente do artista. Isso pode parecer paradoxal, mas a máquina, considerada fria e desumana, pode ajudar a perceber o que é mais subjetivo, inatingível e profundo em um ser humano.”

Sonia Landy Sheridan

Outra mulher pioneira na arte generativa é a Sonia Landy Sheridan.

Ela fundou o primeiro departamento de sistemas generativos no Art Institute of Chicago em 1970.

Grace Hertlein

Grace Hertlein ajudou a popularizar a primeira competição anual de arte generativa em 1974, logo após se tornar editora de artes da revista Computers and Automation.

Muriel Cooper

Embora não seja conhecida por ser um programadora, Muriel Cooper teve bastante influência no estabelecimento da estética na revolução da computação.

Cooper teve treinamento de design da Bauhaus. Além disso, foi influenciada por seu amigo, o designer mestre Paul Rand.

Ela disseminou esses princípios no MIT, onde atuou como diretora da MIT Press. Assim, em 1975, ela fundou o Visual Language Workshop (VLW) do MIT.

Já em 1985, o VLW foi transferido para o MIT Media Lab. Esta acabou se tornando uma das instituições mais importantes para a evolução da arte generativa.

Segundo Muriel Cooper:

“A mudança de uma sociedade mecânica para uma sociedade da informação exige novos processos de comunicação, novas linguagens visuais e verbais e novas relações de educação, prática e produção.”

Lillian Schwartz

lillian schwartz

A artista generativa e pesquisadora de arte Lillian Schwartz trabalhou como artista residente no Bell Labs por mais de 34 anos.

Seu currículo é impressionante.

Ela foi a primeira mulher a ter sua arte generativa adquirida pelo MoMA. E muitas vezes é creditada, junto com seu colaborador Ken Knowlton, como a primeira a exibir trabalhos digitais animados como belas artes.

Em uma entrevista de 1982 no Los Angeles Times, Lillian descreveu a recepção fria que recebeu de seus colegas do mundo da arte quando ela introduziu o computador em sua prática artística:

“Eu tinha uma reputação nas artes antes de me envolver nessas áreas, mas quando comecei a usar computadores, meus colegas artistas começaram a me ver como uma prostituta. Não consegui encontrar um círculo artístico onde pudesse discutir a estética do meu trabalho. Tive de substituir meus amigos artistas por amigos cientistas da computação.”

Além de seu trabalho artístico generativo, Lilian também é pioneira no uso de bancos de dados de computador na análise da história da arte.

Em 1984, ela chocou o mundo mais uma vez. Com o uso de um computador, Lillian provou que o próprio Da Vinci era, de fato, o modelo do quadro “Mona Lisa”.

Você já conhecia o conceito de arte generativa? Possui alguma dúvida ou sugestão? Deixe aqui nos comentários!